O ano de 2026 será um ano muito difícil. Muitas são as ameaças à democracia e aos direitos sociais por parte da extrema-direita, que, apesar das derrotas recentes, ainda segue com grande poder de mobilização nas redes e fora dela. E isso nos coloca, mais uma vez, diante da tarefa de pensar o efetivo papel da esquerda nas eleições deste ano.
Em primeiro lugar, entendemos que a força da esquerda deve vir de uma composição inegociável. Deve refletir as lutas concretas do dia a dia do povo, por mais emprego, comida barata, moradia, saúde e educação, por mais cultura, arte e ciência, por mais justiça socioambiental. A esquerda sempre esteve - e deve estar - ao lado dos que discordam do mundo como ele é; sempre se perfilou com os corpos e sujeitos que precisam mudar o mundo desde sua dor.
Ao mesmo tempo, a força da esquerda também deve vir da utopia, da projeção de um futuro que precisa ser alcançado. Essa capacidade de reinventar o tempo que virá deve ser tarefa nossa, não podemos entregar a esperança num amanhã melhor para o projeto neofascista da extrema-direita, baseado todo ele no ódio, no medo, na intolerância e na mentira. Sim, porque a direita é, por excelência, o reino da mentira e do ressentimento, da opressão e da vigarice.
Dito isto, qual o cenário das eleições cearenses? O que devemos propor? Um acordo com bolsonaristas repaginados, que passaram os últimos anos votando contra o povo e agora querem nosso apoio pro Senado? Não em nosso nome. Precisamos de alternativa, precisamos de pulsão de vida, precisamos de novas esperanças. A extrema direita é projeto de morte. E nós? O que ofereceremos à sociedade? Seremos a cara do acordo do desânimo? Da carcomida composição com forças conservadoras e reacionárias?
Não é isso que a história nos pede. A história nos pede coragem e coerência!





