Áudios divulgados pelo portal The Intercept na última quarta-feira (15) mostram o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à presidência da República, em tratativas corruptas com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por investimentos fraudulentos realizados com dinheiro público no escândalo que ficou conhecido como "BolsoMaster". Tratando o dono do banco Master como "irmão", Flávio aparece pedindo R$ 134 milhões para custear um filme sobre seu pai, o ex-presidente Bolsonaro.
O episódio descortinou as relações promíscuas entre Flávio e Vorcaro, que fundou sua instituição financeira em 2019 e fez fortuna durante o governo Bolsonaro utilizando dinheiro de caixas de previdência de vários estados e instituições estatais em investimentos fraudulentos. Após a divulgação do áudio, Flávio tentou se defender do indefensável e acabou por se enterrar ainda mais no caso, soltando notas e dando entrevistas em que saiu enfileirando mentiras, omissões e contradições.
Listamos abaixo algumas das mentiras proferidas pelo filho 01 de Bolsonaro:
Em primeiro lugar, o argumento central de Flávio Bolsonaro é insistir que o dinheiro pedido ao dono do Banco Master para o filme é um recurso privado. Eis o ponto: não é! Vorcaro montou um banco no primeiro ano do governo Bolsonaro para ROUBAR dinheiro público. Para isso, usou sua rede de contatos junto ao governo e ao Congresso para conseguiur recursos de caixas de previdência e do tesouro de vários estados e aplicar em investimentos fraudulentos.
O filho 01 de Bolsonaro também insiste que o financiamento do filme seria "legítimo" porque não contou com dinheiro da Lei Rouanet. Pudera. A lei Rouanet é um dispositivo de renúncia fiscal, absolutamente legal e importante para o financiamento da cultura brasileira, que, entre outros mecanismos de controle e transparência, obriga prestação de contas. Portanto, é óbvio que Flávio não quis utilizar recursos da Rouanet. Se tem uma coisa que ele e Vorcaro não queriam era dar transparência para o uso desse dinheiro público roubado pelo banqueiro.
Flávio Bolsonaro insiste que não sabia dos “rolos” de Vorcaro no mercado financeiro. Mais uma mentira! No áudio divulgado, gravado em novembro de 2025, mesmo mês em que o escândalo do Banco Master veio à tona e na noite anterior à prisão do banqueiro, Flávio se solidariza com Vorcaro. "Eu sei que você está passando por um momento dificílimo aí também, essa confusão toda, né? De você sem saber exatamente como é que vai caminhar isso tudo...", diz em um trecho da gravação.
Em relação aos valores em si, Flávio Bolsonaro pediu muito, mas muito mais dinheiro a Vorcaro, R$ 134 milhões, muito mais do que seria razoável para um filme. O valor é de três a quatro vezes maior do que o que foi investido em filmes recentes como "Agente secreto" e "Ainda estou aqui", por exemplo. Não bastasse, a produtora responsável pelo filme diz que não recebeu o dinheiro. Fica então a pergunta (que já move as investigações da Polícia Federal): onde foi parar toda essa grana?
Por fim, fica o questionamento sobre se é normal um senador pedir milhões de reais a um banqueiro preso, investigado pela Polícia Federal e atolado em inumeráveis crimes. Para um Bolsonaro que passou a vida homenageando miliciano, fazendo rachadinha, lavando dinheiro e comprando imóveis em dinheiro vivo, talvez seja algo "normal" mesmo. Mas não pode ser normalizado em se tratando de um membro do Congresso Nacional e pré-candidato à presidência.
Que venha a sequência das investigações do BolsoMaster... (Texto: Felipe Araújo / Foto: montagem baseada em fotos de divulgação e da Agência Brasil)
[+] Confira aqui trecho da fala de Renato Roseno sobre o assunto.





