Praia de Tatajuba: um paraíso ambiental na mira da especulação imobiliária

04/02/26 10:59

Um paraíso cearense está na mira do capital imobiliário. Um dos mais importantes patrimônios naturais e uma das mais belas paisagens do Ceará, a praia de Tatajuba, no litoral Oeste do estado, deixou de ser vila e passou a ser distrito, numa decisão da Câmara Municipal de Camocim que favorece a especulação imobiliária, atende ao interesse do grande capital hoteleiro e aprofunda os conflitos fundiários na região.

Segundo reportagem divulgada pelo jornal O POVO esta semana, o resultado da mudança de status são cercas irregulares, poluição, construções desenfreadas em áreas ambientalmente sensíveis, intriga entre vizinhos e familiares, ameaças de morte e até animais de estimação assassinados como tentativa de intimidação.

Na versão da prefeitura de Camocim, a elevação à condição de distrito atendeu “a uma reivindicação histórica dos moradores”, com o objetivo de “ampliar o acesso a políticas públicas e promover o desenvolvimento ordenado da região". Para as lideranças locais, no entanto, a mudança de uma extensa e sensível área ambiental para uma zona urbana é resultado da pressão de especuladores, que querem transformar o território num “balcão de negócios”.

Em pronunciamento realizado esta semana na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Renato Roseno (PSOL) destacou Tatajuba como um dos mais belos paraísos tropicais do Nordeste, mas ressaltou que aquele conjunto de vilas cercados por dunas e águas cristalinas é um território que, há décadas, convive com conflitos socioambientais, em especial pelo avanço da especulação imobiliária.

De acordo com Renato, a lei municipal que reconheceu a vila como um distrito de Camocim favorece o avanço da urbanização, as ocupações irregulares e a chegada de empreendimentos de grande impacto socioambiental. Por essa razão, o parlamentar chamou atenção para o processo estadual que está em curso e que pode criar uma unidade de conservação para garantir a proteção daquele território, das comunidade e de seus ecossistemas.

"É importante que o governo escolha um lado e que seja o lado do povo. Daqueles e daquelas que vivem da terra, que garantem sua subsistência com as riquezas de lá e que precisam de condições para desenvolver um turismo comunitário sustentável", afirmou. (Texto: Felipe Araújo / Foto: Wikipedia)

Áreas de atuação: Meio ambiente