Um pedaço da história passa por nós. Nem todos estamos atentos. Uns capturados pela fábrica de mentiras característica da direita que captura incautos. O fato histórico é que, por primeira vez, depois de quase uma dezena de golpes tentados e realizados nos últimos 90 anos são processados, julgados, condenados e presos os golpistas.
Não foram sequestrados de suas famílias nas madrugadas. Não foram nem serão torturados em porões clandestinos. Não serão “desaparecidos” e mortos. Não terão suas famílias que passar décadas por respostas.
Houve processo, defesa, produção de prova. Foi um dos julgamentos mais observados do Judiciário brasileiro. Como em toda democracia, se discute mérito. Mas o fato é que houve produção de prova e rito legal. Lembro disso para três comentários.
Até hoje os torturadores e assassinos da ditadura militar não foram responsabilizados, o que desrespeita duas decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Caso Herzog é um deles). A juventude que viu e torceu pelo Oscar de “Ainda estou aqui” tomou conhecimento disso.
A História não trai. Nem sempre é justa, mas está aí. Os que se arvoraram poder tudo: mentir, ridicularizar, escarnecer de 700 mil mortos, os que quiseram subjugar a vontade do povo, fraudar a democracia e assaltar o poder hoje carregam o peso da condenação. A Justiça veio.
Agora, os que covardemente elogiam a tortura (caso dos Bolsonaro), começaram a falar em Direitos Humanos de presos. Eles passaram a vida desprezando nossa luta. Sim, todos eles condenados devem cumprir suas penas com o máximo de respeito à dignidade e às suas garantias legais.
Democracia precisa de rito legal. Eles mentiram, mancomunaram. Traíram a Nação e suas fardas. Por isso, precisamos de resposta. Justiça não é vingança. Justiça é resposta. Sem respostas, a ferida fica aberta e se alastra. A última palavra não pode ser de quem subjugou o país.
O que seria de nós se eles tivessem conseguido seu intento? Onde eu estaria? Os sindicatos, os jornais, os parlamentos, as ruas, o povo, a economia? Presos? Cassados? Desaparecidos? Expulsos? Teríamos mergulhado na terceira ditadura em menos de 100 anos. Escapamos por pouco.
Memória, Verdade e Justiça não são somente sobre o que foi, mas especialmente sobre o que será. Sem ufanismos, fico feliz de ver a história acontecer. Por todos os nossos mortos: para que nunca se esqueça, para que nunca mais aconteça! Democracia sempre. Ditadura nunca mais!





